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Divórcio com filhos: como proteger as crianças durante a separação?

03/11/2026 | divórcio |
Ana Clara Costa
Divórcio com filhos: como proteger as crianças durante a separação?
© Magnific

Quase todo pai e toda mãe que chegam ao meu consultório em meio a um processo de uma separação fazem a mesma pergunta: “Será que eu estou prejudicando meu filho com essa decisão?”

O que eu digo: calma, respire. Minha experiência e os estudos sobre o tema são bastante claros: o que mais prejudica as crianças não é o divórcio em si. É o conflito que continua depois dele, a hostilidade entre os pais, a sensação de ter que escolher um lado e a perda da previsibilidade na rotina. E isso significa que mesmo em meio a tantas mudanças, o bem estar dos filhos está ao alcance dos pais.

Vou orientar aqui a alguns pontos importantes que podem ajudar muito nesse momento tão delicado na vida da família:


Como contar para os filhos que vocês vão se separar

Sempre que possível, conversem juntos, em um momento calmo e sem pressa. Evite contar na véspera de uma prova, de uma viagem ou de um aniversário.

Algumas diretrizes que ajudam:

  • Use frases simples e verdadeiras. “Mamãe e papai decidiram morar em casas diferentes. A decisão é nossa, não é culpa de ninguém.”
  • Diga o que vai continuar igual. Escola, avós, animal de estimação, o quarto. Para a criança, a previsibilidade é segurança.
  • Não detalhe a briga dos adultos. Motivos de traição, dinheiro e mágoas não são assunto para os filhos. Se perguntarem o porquê responderam que essa foi uma decisão dos adultos, ou que vocês entendem que é melhor assim, e que apesar da separação vocês continuarão sendo os pais dele.
  • Abra espaço para perguntas, e aceite o silêncio. Algumas crianças só reagem dias depois e se abrem em momentos inesperados como no carro na volta da escola, ou na hora de dormir.

A linguagem muda conforme a idade. Crianças pequenas precisam de poucas palavras, repetidas várias vezes. Crianças em idade escolar costumam perguntar “e eu, onde vou morar?”. Adolescentes tendem a reagir com distanciamento ou irritação, e isso não significa que não se importam.


Sinais de que seu filho está sofrendo com a separação

Cada criança expressa o sofrimento de um jeito. Fique atento a mudanças que se mantêm por semanas:

  • Regressões, como voltar a fazer xixi na cama ou a pedir colo o tempo todo
  • Alterações no sono e no apetite
  • Queixas no corpo, como dor de barriga e dor de cabeça sem causa clínica
  • Queda no rendimento escolar ou dificuldade de concentração
  • Irritabilidade, agressividade ou isolamento
  • Culpa: “foi porque eu me comportei mal”

Um sinal isolado não é diagnóstico. Quando vários aparecem juntos e persistem, vale procurar avaliação psicológica.


O que o sistema nervoso da criança precisa neste momento

Aqui entra um olhar que uso muito na clínica: a Teoria Polivagal, de Stephen Porges. Em linguagem simples, nosso sistema nervoso está o tempo todo avaliando uma pergunta: “estou seguro?”

Quando a casa vira um campo de tensão, a criança fica em estado de alerta. Ela pode reagir com agitação, com choro fácil, ou “desligando”, ficando quieta demais. Isso é fisiologia, não manha.

O que ajuda na prática:

  • Voz calma e ritmo lento na hora de falar com o filho, principalmente em momentos difíceis
  • Rotinas previsíveis nas duas casas: horário de dormir, refeições, tarefas
  • Rituais de transição na troca de casa, como um abraço, um lanche, um objeto que viaja com ela
  • Presença física e olhar atento, mesmo que por poucos minutos

Crianças não se acalmam sozinhas. Elas se acalmam através de nós adultos, o que chamamos de co-regulação. Cuidar do seu próprio sistema nervoso também faz parte. Um adulto exausto e em modo sobrevivência tem mais dificuldade de acalmar o filho. Pedir ajuda para si não é egoísmo, é proteção para a criança.


O que evitar para não aumentar o conflito

Nem sempre é fácil, principalmente quando a relação termina com dor. Mesmo assim, tente:

  • Não falar mal do outro responsável na frente da criança
  • Não usar o filho como mensageiro (“diz pro seu pai que...”)
  • Não perguntar com quem ele prefere ficar
  • Não fazer o filho se sentir traidor por se divertir na casa do outro
  • Não Competir por presentes e programas

Esses comportamentos, quando se repetem, colocam a criança no meio de um conflito de lealdade, que pode ser muito doloroso e, se houver litígio, se confundir com alienação parental, que explico melhor no post sobre Alienação Parental.


Quando buscar ajuda profissional

Procure um psicólogo se o sofrimento do seu filho persiste, se o conflito entre os adultos não ameniza com o tempo, ou se você mesma sente que está sem recursos. A terapia infantil, a orientação  parental  e a terapia de família ajudam a reorganizar a rotina emocional da família e a construir uma coparentalidade possível e protetiva.

No meu trabalho, atendo famílias, casais e crianças em processo de divórcio na  Granja Viana (Cotia-SP). Se você está passando por isso agora, será um prazer ajudar vocês. Entre em contato para uma conversa inicial.

Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação psicológica individual.

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Cuidado com as pessoas, compreensão das relações e responsabilidade técnica em cada atuação.

Ana Clara Costa
Ana Clara Costa
Psicóloga
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